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Ana Catharina Nastri explica que os medicamentos podem causar efeitos colaterais e a indicação é o paracetamol e a dipirona

 

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que não há contraindicações no uso do ibuprofeno – anti-inflamatório popularmente usado para dor, febre e inflamações –, porém, alguns profissionais da saúde no Brasil não recomendam o uso e advertem sobre a possibilidade de efeitos colaterais.

A professora Ana Catharina Nastri, do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, comenta que o uso de anti-inflamatórios como o ibuprofeno pode acarretar problemas renais e linfáticos, logo, o mais recomendável é mesmo o uso do paracetamol e da dipirona no tratamento da doença. “Essa polêmica começou porque, na observação dos pacientes na China, notaram que os usuários de medicamentos para hipertensão poderiam estar relacionados a uma piora da doença. O vírus precisa penetrar na molécula e alguns medicamentos podem aumentar isso, mas com o ibuprofeno poderia ter uma redução. Nos nossos estudos isso ainda ficou muito controverso. Isso não se confirma.”

Quanto ao uso de cloroquina – medicamento regularmente usado no tratamento da malária e do lúpus –, a professora afirma que, mesmo com o surgimento da hipótese de que possa ajudar no tratamento do novo coronavírus, os estudos ainda são preliminares e não conclusivos: “Alguns dados mostraram benefícios da cloroquina, mas outros não. Alguns ambulatórios estão fazendo uso controlado, mas ainda não se sabe a efetividade. Estamos na fase de estudos. Não é um medicamento totalmente sem efeitos colaterais”. Somente pacientes em situações específicas estão sendo testados com cloroquina. Ana Catharina adverte que o medicamento não deve ser usado em casa, pois pode ter efeitos colaterais e ainda gerar desabastecimento para os pacientes que necessitam dele para tratar outras doenças.

Em cerca de 80% dos casos, a manifestação do novo coronavírus no organismo é branda, assemelhando-se a sintomas comuns de gripe. Nesses casos, é recomendado que o tratamento seja feito em casa: “O importante é não sobrecarregar o atendimento dos serviços públicos de saúde. Uma gripe, uma tosse, uma febre baixa não justificam procurar o pronto socorro”, afirma Ana Catharina. Lembra ainda que a procura por unidades de saúde deve acontecer caso os sintomas contemplem falta de ar, mialgia, prostração e confusão mental.

Nesta segunda-feira (23), começa a campanha de vacinação contra a gripe causada pelo vírus influenza, que foi antecipada devido à pandemia do novo coronavírus. Os grupos prioritários para receber a vacina são os idosos e os profissionais de saúde. Ana Catharina afirma que quem está ou teve sintomas de gripe deve tomar a vacina, que age contra os diversos tipos de vírus influenza, exceto contra o coronavírus, mas é uma forma de prevenir outras gripes. A especialista informa que, no momento da vacinação, é preciso manter os cuidados preventivos contra a covid-19, como evitar aglomerações.

 

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Por Jornal da USP no Ar

 

 

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