virus nipah

O Vírus Nipah é apontado como um que possui maior probabilidade de causar a próxima pandemia e cientistas já trabalham duro para tentar entendê-lo e evitar que surtos virem pandemias (Imagem:Morcego raposa voadora negra Pteropus por Andrew Mercer via Wikimedia Commons)

 

 

Você provavelmente recebeu o link em uma rede social falando sobre um vírus chamado Nipah que é transmitido por morcego e que possui taxa de mortalidade média de 75% ou leu a notícia da BBC com a chamada "Após coronavírus cientistas começam a trabalhar duro para evitar que o vírus Nipah cause uma nova onda de surto" e ficou assustado. Em época de pandemia causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, quem não ficaria?

 

O Vírus Nipah (NiV) é transmitido por morcegos é causa infecção em humanos e outros animais. A infecção pelo Vírus Nipah pode provocar desde síndromes respiratórias agudas até inflamações do cérebro chamadas de encefalites. Ele possui um período de incubação longo que pode chegar até 45 dias.

Ele foi detectado pela primeira vez na malásia em 1998, durante a investigação de um surto de doença neurológica e respiratória em fazendas de porcos localizadas em Kampung Sungai Nipah na península da Malásia. O surto causou 265 casos em humanos com 105 mortes.

Com base em dados de soroprevalência e isolamentos de vírus, o reservatório primário do vírus Nipah foi identificado como morcegos frugívoros Pteropus , incluindo Pteropus vampyrus (grande raposa voadora) e Pteropus hypomelanus (pequena raposa voadora), ambos encontrados na Malásia.

Desde então novos surtos de infecção pelo vírus Nipah foram ocorreram no sul e sudeste da Ásia, foram relatados casos na Malásia, Cingapura, Bangladesh e Índia. A mortalidade mais alta devido à infecção pelo vírus Nipah ocorreu em Bangladesh.

 

 surto nipah virus

Imagem: Mapa com os Locais de surtos de henipavírus (estrelas: vermelhas - vírus Hendra; azuis - vírus Nipah) e
distribuição de reservatórios de raposas voadoras de henipavírus (sombreamento: vermelho - vírus Hendra; azul - vírus Nipah)

 

“A vigilância de longo prazo nos ajuda ... a fornecer informações às autoridades [para formular] medidas preventivas e prevenir a disseminação cruzada de espécies de vírus não detectados que podem causar uma pandemia.”

 

Como é o vírus Nipah?

O Vírus Nipah pertence à família dos Henipavirus, um  vírus de RNA fita simples senso negativo [Vírus (-)ssRNA] coberto por uma membrana lipídica. 

Seu RNA está fortemente ligada à proteína N ( nucleocapsídeo ) e associada às proteínas L (grande) e P (fosfoproteína), que fornecem atividade de RNA polimerase durante a replicação. O Ephrin B2 e B3 foram identificados como o principal receptor do vírus Nipah.

Os henipavírus empregam um processo incomum chamado edição de RNA para gerar várias proteínas a partir de um único gene. O processo específico em henipavírus envolve a inserção de resíduos de guanosina extras no mRNA do gene P antes da tradução . O número de resíduos adicionados determina se as proteínas P, VC ou W são sintetizadas. As funções das proteínas V e W são desconhecidas, mas podem estar envolvidas na interrupção dos mecanismos antivirais do hospedeiro.

 

Nessa família estão os vírus:

  • Cedar henipavírus - Vírus do cedro (CedV)
  • Henipavírus de morcego ganês - Vírus Kumasi (KV)
  • Hendra henipavirus - Vírus Hendra (HeV)
  • Henipavírus Mojiang - Vírus Mòjiāng (MojV)
  • Nipah henipavirus - Vírus Nipah (NiV)

 

nipah virus

Esta micrografia eletrônica de transmissão (TEM) descreveu uma série de vírions do vírus Nipah
que foram isolados da amostra de líquido cefalorraquidiano (LCR) de um paciente (CDC/ C. S. Goldsmith, P. E. Rollin)

 

Preciso me preocupar?

O vírus Nipah está entre as 10 principais doenças infecciosas que preocupam a OMS. Atualmente foi classificada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças como um agente de Categoria C. Os agentes da categoria C são patógenos emergentes com capacidade de causar um grande impacto na saúde. Também nesta categoria está listado o Hantavírus. 

A reportagem da BBC possui como personagem central a Supaporn Wacharapluesadee, que é responsável pelo Centro de Ciências da Saúde para Doenças Infecciosas Emergentes da Cruz Vermelha Tailandesa em Bangkok. Ela foi responsável pela equipe que descobriu o primeiro caso do novo coronavírus fora da China

Rusati e seus colegas coletaram amostras de milhares de morcegos em suas pesquisas e descobriram muitos novos vírus. A maioria de suas descobertas são coronavírus, mas eles também encontraram outros patógenos incluindo o vírus Nipah.

Bem o que precisamos entender é que os vírus existem há mais de 4 bilhões de anos e surgiram com as primeiras formas de vida da terra e eles necessitam de uma cécula hospedeira para se replicar, melhor falando são parasitas que infectam os seres vivos desde o início da vida na terra. 

Todos os dias acordamos com a certeza da ameaça de doenças emergentes que podem surgir através de uma mutação de um vírus, de um novo vírus, uma bactéria multirresistente ou quem sabe até um novo microrganismo.

Nos últimos anos a humanidade enfrentou doenças potencialmente pandêmicas como o vírus Ebola, o vírus Zika, o da Síndrome Respiratória (SARS), a febre do Vale do Rift (RVF), a Síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) e mais recentemente a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV-2).

Por isso Prevenção e vigilância são as palavras-chaves para previnir que doenças emergentes virem epidemias e até mesmo pandemia. Manter um sistema de vigilância epidemiólogica e proporcionar saúde para a população é a melhor medida para reconhecer uma ameaça e combater esse desafio que caminham com a humanidade.

Mudanças ecológicas como desmatamento e inundações. Mudança demográfica como urbanização. Movimentos de resistência anti-científicos como movimentos antivacional. Falhas em medidas de saúde pública são alguns motivos que podem contribuir para o aparecimento de doenças emergentes.

Como Veasna Duong, chefe da unidade de virologia do laboratório de pesquisa científica do Instituto Pasteur em Phnom Penh e colaborador de Wacharapluesadee, disse “A vigilância de longo prazo nos ajuda ... a fornecer informações às autoridades [para formular] medidas preventivas e prevenir a disseminação cruzada de espécies de vírus não detectados que podem causar uma pandemia.” Sem treinamento contínuo Os cientistas podem não ser capazes de identificar e identificar novos vírus tão rapidamente quanto Wakana Rusati descobriu novos casos de coronavírus na Tailândia. Essas informações podem ajudar a desenvolver uma vacina.

Sobre a matéria da BBC a jornalista Harriet Constance termina o texto com um parágrafo que demonstra bem os esforços de milhares de cientistas ao redor do mundo, ela escreveu "Em setembro de 2020, perguntei a Wacharapluesadee se ela achava que era capaz de impedir a próxima pandemia. Sentada em seu escritório vestindo um jaleco branco, ela processou centenas de milhares de amostras do novo coronavírus nos últimos meses, e a carga de trabalho excede em muito a carga de trabalho normal de seu laboratório em qualquer ano normal. Apesar disso, um sorriso apareceu em seu rosto e disse - Vou tentar parar".

 

Por Fábio Reis 

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